Reticências

Fecho meus olhos e espero. Serei paciente prometo.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Grito

Descolo meus lábios. Seriam mesmo lábios? São mais barreiras quase que intransponíveis, quase que obstáculos eternos.
A comunicação não se faz mais. A boca seca. Seria mesmo uma boca? É apenas um espaço oco de ausência de palavras. Nada mais se faz em mim.
Irracionalidade. Que seja a palavra existente ou não. Eu crio, eu faço. Emito ganidos, emito gemidos, tal qual um animal. Mas sim, invejo os animais, INVEJO.
Queria ganir sem medo, sem receio. Queria abrir essa fenda bucal inútil e me expressar como conseguisse. Mas não consigo! Não quero olhos, quero cordas vocais. Quero expressão sonora potente, presente. Já me bastam por completo convenções, criações, predileções, ÇÕES!
Chega de lágrimas de fraqueza, chega de ser fraca. Quero brutalidade, quero existir rupestremente, quero errar, mas errar criando. Quero novas palavras, quero EXISTIR!
Bizarramente que seja, me processe, me crucifique, quem sou eu pra ser Deus, mas sou eu pra pensar no eu, pra querer que o meu eu predomine. E agora, tudo o que eu não consigo é pensar e agir conforme o eu. Porra, me deixe em paz.
Que se foda o lirismo na moral. Agora quero abrir a boca, abir mesmo, beem grande. Quero expulsar do meu corpo de desejo e pecado todo o meu mal. Que o meu veneno mate a outrem e não a mim.
Que minha língua voluptuosa molhe meus lábios e se deleite com a palavra. Que o meu egoismo enfim triunfe.
Palavra não, alto lá. Que se glorifique com o som. Com o rei dos barulhos animais. Que se encha do grito, do mais forte e ameaçador. Que ele progrida a um berro, um berro de horror. E que eu expulse de mim tudo que me aflige, que me aperta, que me envenena.
Que eu me livre de tudo, de todos e que eu corra pelos campos nua, solta e feliz, finalmente por me livrar das correntes e da jaula em que me prendeste.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Andorinha

Bata a cabeça no teclado e veja o que sai.
Bata a cabeça na vida dia após dia, choque-se com as paredes e veja o que acontece.
Estupidamente não se molde nunca a sociedade, esteja sempre a margem dela e observe.
Seja uma persona non grata e confira o resultado.
Não tenha amigos, identidade, reconhecimento, isole-se ermitão!

Mas não se arrependa nunca! A escolha é sua.
Ria todos os momentos, não serei eu a indicar uma vida de lágrimas por estupidez.

Lute! Viva! Nem sempre é bom, mas o masoquismo social completa a humanidade a séculos, por que não vai completar você?
Não se feche nas paredes de grupos e dos rótulos somente a sua pessoa pode lutar por felicidade.


Viva poeticamente numa metáfora se quiser, uma andorinha só não faz verão.

Quem estará a fazer o seu próximo verão ao seu lado?