Reticências

Fecho meus olhos e espero. Serei paciente prometo.

sábado, 19 de maio de 2012

E agora?

Onde estou se não vejo os meus pés? Onde será que ficou perdida a estrada? Onde será que está o agora se agora só tenho aqueles cacos do passado que tanto falei?

Agora estou desnorteada. Quer saber de uma novidade? Eu sei que não quer, mas estou com medo. De novo.

E de novo como um loop me vejo só. Só e sem amparo. É curioso como tudo fica mais triste, quando a tristeza contagiante nos enrola na sua colcha de aconchego. Eu, de novo, devaneio, não vê? Eu de novo choro, suspiro, de novo me falta o ar. De novo quero gritar. A novidade do agora, contudo, é que não me falta voz. Dessa vez o que me falta é o grito. Curioso não? 

Dessa vez, a porta da cadeia se abriu. Dessa vez o carcereiro tirou férias. E dessa vez eu vejo de novo aquilo que restou, ouço de novo o eco do que sobrou. E mais uma vez eu lembro o quanto meu erro foi fatal, do quanto me destruiu. Olha, alguém escuta por favor, eu sei que estou mais uma vez delirando (não sei mais o que é real ou não) mas mesmo em todo e qualquer delírio, uma coisa não muda: Eu quero meu carcereiro de volta! Eu quero acordar e saber que serei resgatada, eu quero de novo declamar o desejo, quero falar dos meus versos quebrados. Enigmas, imaginação, charadas? Cadê a lua trazendo consigo o amor? Onde se perdeu a páscoa se só a dor da perda ficou? 

Eu não quero mais ser vista, não quero mais elogio. Eu juro. Eu não quero mais quase nada. Eu só quero você, carcereiro meu. Mesmo que você não leia nada mais, eu quero dizer nem que seja ao vento que te amo. Não há truque não vê? Eu já fui não, sonhei com um talvez, cadê o tempo do sim? 

Será que você não viu? Naqueles tempo longínquo eu pedi pra viver e amar sem medo e sem culpa, eu pedi, talvez você não tenha visto. Estou a horas e mais horas nessa meia-luz a lembrar. Não há lusco fusco, apenas a confortável meia escuridão dessa minha nova clausura, ela é excelente pra relembrar. De novo meu olho chora seco. De novo espero aquele eclipse especial. Será que acabaram-se mesmo os rescunhos? O poema definitivo já tem um fim?

domingo, 31 de outubro de 2010

Manual para um livro

E bote tempo no que o sofrimento traz. Anexado a ele toda a sua dor. Mas se junto está justamente, aquilo que unimos com as mãos, logo veremos então o vento bater e tudo voar. Bem além além do que a vista alcança, pedaços de recordação.
Eles virão a semear, a terra do que um dia será. Timidamente crescerão e contarão suas próprias histórias, por palavras, textos, livros. Cada vida de novela que preenche as janelas dos arranha-céus.
Se cada conto pode ser contado, posso contar também uma triste história, aquela que se inicia na conclusão da sua, na incerteza de que um dia vão lê-la, na ausência de tempo em vidas atribuladas para preocupação com aquilo que é alheio.
Faça uso então, de artifícios a tornar seu texto interessante, sem se importar em divulgar a história. Um suspense bem vindo, diria eu. Ou então apele para a mídia e seus fantasiosos recursos, mas terá de tolerar as duras críticas que o sucesso traz.
Faça uma capa interessante para o livro, mas nunca se esqueça, o título é bem mais importante e o supremamente primordial é uma boa sinopse.
Use livraria de qualquer tipo, bibliotecas, bancas de revista, bancos de praça. Disponibilize o texto a gosto.
Só não esqueça de um detalhe, viva o que a vida lhe proporciona, aceite os desafios que lhe desafiam, seja redundante até. Sem dados não há livros, não há nada pra juntar com as mãos, nada pro tempo levar. De um best-seller tudo que fará é mais uma história de quem nada fez.

sábado, 2 de outubro de 2010

Incômodo


Tudo trava. Não adianta puxar o ar. Impedimentos. Tudo empacado. Doído. Morrido.
É assim mesmo. Sem habilidade alguma de pensar. De ter trato com as palavras. Não sabemos porque se perde tempo com isso.
Mentimos. Grandes mentirosos que somos. Nós sabemos muito bem porque perdemos o tempo com isso. Sabemos sim. O que resulta da dor é a reação. Nada vem em vão. Quem se impede de reagir está se negando a viver. E quem não vive é estúpido por completo.
Casca de burrice, o ar não entra realmente em seus pulmões. Entra em sacos de papelão. Devemos puxar o ar mais uma vez. Uma vez mais. Realmente senti-lo. Literalmente. Nos falta sentir. De verdade. Pode doer, podemos sofrer, mas o que não traz dor?
Saborear. Cada detalhe do início ao fim. Tudo é transitório, mesmo o que há de ruim. E se não sentimos e apreciamos a dor, do que adianta sofrê-la? Quando passa, não há mérito, não há vida. Se não há vida, não há lição. E se nada aprendemos tudo foi em vão. Tente começar de novo se puder, ou então sofra, bom apetite.