
Meus olhos se fecham ao sentir o tênue calor de seus braços. Ou seria o turbilhão de sensações que me impede de reagir?
Os segundos intermináveis e inconstantes passam pelas fibras do meu corpo. Que se dane. O mundo explodindo e eu aqui, onde mais importa. O egoísmo passa a ser amigável, diria eu. Talvez o mais admirável das qualidades que um ser humano pode ter. Isso é claro, sob a justificativa que eu tenho. Você, obviamente.
O piegas que morra, quero mais é ser feliz. Se realmente o mundo para ao nosso redor, é porque para nós o tempo imortal é impotente. O que me importa a opinião alheia? As partículas temporais não me atingem, as dores não mais me afetam. O sofrimento do ontem, passa a ser uma lembrança longínqua de um mundo infeliz e tão diferente do nosso.
Estranho, ser egoísta e preservar o nosso. Na verdade, o termo é mal empregado, considero você minha propriedade e não tenho receio de afirmar. Tanto faz ser sua dona ou sua escrava, o açoite da escravidão não me afeta e a transformação da servidão em algo singelo me atrai.
Anele-me em seus braços, correntes da escravidão. Sou perigosa solta por aí, sem você. Quero mais os meus limites, quero mais os seus braços e torturas milenares de beijos infinitos.
Sou egoísta e incorrigível, não sirvo ao convívio em sociedade. Sou tão malévola que quero, há e como eu quero, torturar-te a uma vida perpétua como meu carcereiro de dedicação exclusiva.
Abrace-me até o fim. Livre o mundo de mim e me conceda o maior dos prêmios. Conceda-me o paraíso. Conceda-me viver em seus braços.