Reticências

Fecho meus olhos e espero. Serei paciente prometo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sensação


Descrevendo ou não, acreditando ou não nessa pseudo-realidade, ou não. Queria apenas palpá-la, sentir na ponta dos dedos aquilo que poderia discernir como o certo, ou não.
Era a busca constante dos dados pro seu mundo, pois o seu "eu" variaria de acordo com o contexto. Não o eu de verdade, é claro, mas o "eu", aquele "eu" que se mostra, que se vende no dia a dia nas esquinas da vida. Os "eus" são facilmente encontrados em qualquer tenda de vendedor ambulante por aí, alguns com embalagem, outros meio quebrados na promoção e até mesmo alguns com chance para teste.
Mas acontece é que queria construir algo novo. Queria um "eu" que o consumidor ainda não tivesse. Talvez um "eu" das prateleiras do mercado, junto com a área de papelaria, ou talvez junto das balas. Sonhava com o dia em que seu "eu" poderia ter a qualidade das vitrinas de shoppings, mas antes disso precisava voltar a sua pesquisa de campo.
Buscou por aí, embaixo de pedras, atrás de portas, dentro de estojos. Até nos fantasmas das fotos esquecidas num passado remoto olhou. Quis sentir coisas nunca sentidas. Quis se amar acima de tudo. Quis tanto que viu que não mais podia querer.
Constatou que que certamente seria apenas o "eu". Não melhor, não pior, apenas o "eu" que fosse a sua cara. Seguiu a vida então, gostariam e comprariam o seu "eu" apenas que sentissem como sentia. Sentiu cada coisa ao seu redor, filtrou e guardou em si apenas o que julgava valioso.
Colecionou sensações. Amou e foi amada. E viu que em cada coisa feita com a emoção, sem preparar invólucros é que se concentra a real felicidade.
Assim seguiu. E seu "eu" sem mais, nem menos, sem ao menos sentir essa notícia, foi para a mais estimada prateleira das boutiques de luxo.

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